Isso não é um desabafo, isso é indignação!
A Assembléia Estadual do Magistério de Santa Catarina ontem me provocou uma tremenda indignação, não só pela falta de combatividade dos dirigentes, mas principalmente pelos jargões e falas de dirigentes a anos em cargos de direção no SINTE, espelhos da burocratização dos sindicatos e formação de gestores que falam em nome dos trabalhadorxs, mas na prática, apenas gerenciam nossa miséria de forma mesquinha e interesseira.
Entre as falas destaco as tentativas deliberadas de atribuir à responsabilidade pelas derrotas no enfrentamento com (des)governo Colombo a base, quem é base que eles tanto falam as xs milhares de precarizadxs da educação? Uma categoria ao qual mais da metade não tem seus direitos como trabalhadorxs respeitados e submetidxs um regime típico da flexibilização do trabalho? São efetivxs também precarizadxs?
Sim todxs somos a base, mas nem todxs confiamos nossas esperanças no SINTE, longe de passar por cima da entidade é preciso questionar sua estrutura e funcionamento, apontar o dedo para esse ou aquele dirigente, é preciso sim, construir um movimento no magistério combativo, com democracia real e em prol da construção do poder popular.
Quando falo em poder popular sei que gera um preconceito danado, têm professorxs que por ignorância ou preguiça intelectual aqui que tem horror a anarquistas e socialistas não autoritários, minha preocupação não é convencer a todxs, mas aquelxs que tem independente de sua corrente política vontade de lutar e sonhos de uma sociedade mais livre, igualitária e que respeite o meio ambiente, apontados por colegas como utópicos.
Será que somos utópicos quando afirmamos que para reforçar a luta dos trabalhadorxs da educação é preciso que os dirigentes sindicais sejam rotativos? Que não se permita que o sindicalismo seja entendido como profissão?
Será que somos utópicos quando exigimos que interesses e disputas partidárias não suprimam as nossas pautas e reivindicações?
Somos utópicos quando buscamos nos organizar nas escolxs e bairros, quando nos organizamos em movimentos em defesa da educação e outros que vão além do sindicato em questões relacionadas a luta dos trabalhadorxs negros, mulheres, gays e em prol da democratização da comunicação e cultura?
Bem se isso é ser utópico, aquelxs que lutam em prol da construção do poder popular são utópicos, e me sinto bem a vontade para dizer que nossa utopia é melhor que distopia da reprodução dos valores de uma falsa democracia (liberal) e da política reacionária de quem está mais interessadx em sentar sua bunda nas cadeiras do poder e lá permanecer do que construir uma sociedade mais justa e igualitária mantidos pela inércia de quem muito fala e nada faz para mudar o triste quadro da educação.
Eu sou base e você? Se tu não te organizas, como diz a música: “Senta e chora!” pois será sempre traídx por teus atos.
Chega de reuniões a porta fechadas entre governo e entidades sindicais (porque não transmitir do rodadas por rádio ou video, temos meios barotos e simples de fazer), chega de atribuir a responsabilidade a base pelo sindicato não ter feito trabalho de base antes que as questões se agravassem, chega de atribuir ao sindicato toda responsabilidade na organização do movimento do magistério, chega desse legalismo infantil que deposita todas as forças em decisões do judiciário( esperamos 8 anos para lutar)…. -Não há alianças possíveis com governos que privatizam a educação, Seja Colombo ou a Dilma, ou lutamos com autonomia ou vamos continuar na mesma ano após ano sendo lindas ovelhinhas indo para o abate.
Zé da Ruti, desde 2005 sendo precarizado.
